Ao fim de tudo

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Quando sai de Böblingen tive uma sensação difícil de explicar. Saí tantas vezes de lá, mas sempre com data marcada pra voltar. Dessa vez não. Não era nem apego à Gastfamilie (até porque os últimos dias não foram lá muito fáceis), e nem sei se à cidade, sei lá o que era. Talvez só por ser o primeiro passo de volta pro Brasil. 

Cheguei em Berlin e, como sempre, fui bem recebida. No domingo fomos a dois mercados de Natal bem bonitos. Já na segunda comecei a me preocupar com o peso das malas e despachar livros pelos correios. Fui meio burra na hora de enviar e gastei mais do que precisava, mas azar. Meu primo comprou uma cerveja por dia da minha permanência lá, todas diferentes pra que eu experimentasse. Na segunda ainda ajudei a arrumar a árvore de Natal, que é uma árvore de verdade com bolas de vidro e não plástico. Ou seja, bem mais interessante. 

No dia 24, fomos à uma missa na especialmente escolhida Igreja Santa Ana na qual avistamos um ex-presidente alemão que mora nas redondezas (não me perguntem qual) e a janta foi queijo derretido com batatas, cogumelos, azeitonas e tal. Uma comida simples, porque na crença alemã não se precisa comer muito, já que é uma noite iluminada. Ah, e eles abrem os presentes no dia 24 mesmo. Eles me deram chocolate, um DVD de Berlin e, o mais lindo de tudo, um ingresso pro musical Hinterm Horizont, com músicas do Udo Lindenberg e que mostra um pouco da situação de Berlin dividida. Fui ver na sexta e foi simplesmente espetacular. Prometo fazer logo um post sobre n'O que tem na nossa estante

No dia 25 o almoço foi uma sopa de cenoura, pêssego e mais alguma coisa que eu esqueci, e carne de cervo, com sorvete em forma de estrela de sobremesa. Nessa tarde, meu primo e a família viajaram, me deixando sozinha em casa (com Nutella pro café da manhã e cerveja pra janta). Passei o dia 26 com os pais dele (ou seja, o primo do meu avô). A vizinha deles (que vai e volta toda hora de Madeira e sabe meia dúzia de palavras em português - o suficiente pra dizer que eu sou 'grande') fez a comida especial do segundo feriado (porque dia 26 é feriado lá): ganso com batata. Pelo terceiro dia seguido, tomei vinho, que parece ser a bebida oficial da época por lá (aliás, eles tomam quentão por lá nessa época também). Dessa vez a sobremesa foi um creme de limão muito bom (comi metade sozinha). A tarde seguiu com fotos e vídeos da família. Foi legal, mas cansativo. 

Sexta foi dia deles me buscarem e darem uma volta de carro por Berlin inteira me contando e mostrando tudo, como a torre na floresta de lá e belezas escondidas no interior da capital alemã. Rendeu algumas fotos. De tarde fui dar uma volta na Schloßstrasse (uma das ruas pra compras) e ver mais umas lembrancinhas de lá. Voltei pra casa, comi algo e fui pro musical. Quase três horas, mas fabuloso. Mesmo. Até comprei o pôster, pro dia que adaptarem pro cinema eu me gabar de ter ido no teatro.

Tirei sábado pra me despedir de Berlin e me indignar comigo mesma ao ver que os principais pontos turísticos são um do lado do outro e eu fiquei andando de trem e olhando mapa à toa. Ou seja, me candidato agora oficialmente pra ser guia de quem quiser ir pra Berlin. Pagando a passagem eu tô lá. De noite parei pra tomar as duas cervejas que me restavam (não tinha tomado a de sexta) e ver fotos do ano. Cara, eu fiz e vi mesmo muita coisa. Selecionar fotos é complicado e vou me ralar tentando resumir um ano em um álbum. Veremos.

Domingo passei a manhã fechando as malas e tentando não fazê-las pesar. Os pais do meu primo me buscaram pra comer uma comida tipicamente alemã e tomar minha última cerveja antes de irmos pro aeroporto. Sozinha arrastei as minhas tralhas pra porta do prédio enquanto esperávamos o táxi. Chegamos cedo no aeroporto e esperamos. Tinha um guri do nosso lado que só mais tarde fui descobrir ser brasileiro. Nos aeroportos de Berlin e Frankfurt, esperando o voo, conversamos e o tempo passou mais rápido. Mas enfim, não paguei excesso de bagagem e ninguém se preocupou em pesar minha bagagem de mão (que não era leve). A mãe do meu primo chorou e eu torci pra que mantenhamos mesmo o contato e eles fiquem bem. Os voos foram pontuais e minhas malas chegaram. Em São Paulo me peguei pedindo licença em alemão e me alegrando ao ouvir o sotaque gaúcho.

Em Porto Alegre sai com o carrinho de bagagens e quase morrendo (mesmo tendo colocado uma bermuda e uma regata em São Paulo) pra sair e não encontrar ninguém pulando de alegria ao me ver. Logo vi meu pai descendo a escada rolante (ele tinha tentando me ver sair do avião) enquanto minha mãe tava sentada e ficou apavorada por não ter me visto sair. Mas enfim, saímos de lá e em uma milagrosa uma hora e meia chegamos a Caxias. Antes de chegar em casa fomos pra hamburgueria aqui perto de casa matar minha vontade de cheese e suco de laranja (era muito cedo pra eu beber cerveja brasileira e, além do mais, na Alemanha suco de laranja só é vendido em doses minúsculas e custa caro).

Cheguei em casa e encontrei recortes da página policial na minha porta, recortes musicais no meu espelho e presentes na minha cama (destaque pras quatro camisetas lindas do Bowie). Já desempacotei copos e presentes pro pessoal de casa, mas só hoje de manhã parei pra ajeitar roupas e de fato tirar as malas do meu quarto. A difícil tarefa de achar espaço pra livros e CDs novos deixo pra amanhã. Hoje de tarde uma amiga veio me visitar e amanhã já marquei de ver um amigo, e já estou agendando com outros. 















Caxias está abafada, como é normal no verão, mesmo tendo chovido um pouco (minha mãe tava na saga pessoal dela de achar quindim pra mim, eu recolhi a roupa, ela chegou e disse "bem se vê que tu tá em casa"). Fui forçada a achar um novo número de celular, já que após três meses sem serem utilizados, os chips se auto-desinvalidam ou algo assim .Triste vida. 

São 20h e estou morrendo de sono (explicada minha ausência na festa de virada de ano - termino aqui e vou dormir), além de estar surpresa por estar tão claro (na Alemanha, 17h já era noite). Acho que esse é o fim desse blog e a hora de começar a assimilar tudo que vi, vivi e aprendi esse ano. Foi muita coisa. Foi um baita ano, com mais sorte do que eu um dia podia imaginar ter. Daqui uns tempos vou estar como Bowie e me perguntar "Onde estamos agora?" enquanto penso especialmente em Berlin. 

Gostaria de agradecer imensamente às pessoas que declaradamente ou não acompanharam esse blog e especialmente àqueles que se preocuparam em me dizer "Aproveita, esse ano é teu". Se tive um ano tão bom é porque tenho a sorte de ter muitas pessoas que não só simpatizam comigo mas também me desejam coisas boas, até mais do que mereço. Enfim, obrigada. Nos dias que virão nos reencontraremos (ou nos encontraremos, pros amigos amigos virtuais espalhados pelo país) e colocaremos devidamente o papo em dia (como causos censurados aqui). 

Agora, definitivamente, 

bis bald!

5 comentários:

Pandora disse...

Fico me perguntando o que escrever, parece que foi ontem que você chegou ai e no entanto esse ontem parece ter acontecido em outra vida, numa vida com dissertações incompletas, tumultos e uma viagem para o sul para sabe Deus quando e não para daqui a 14 dias...

Foi um prazer te acompanhar Ana, mesmo depois de você me transformar em inominável kkkkkkkk Que bom que vc viveu coisas tão boas, tão incríveis e tão maravilhosamente reais!!!! Me sinto tão feliz por você, sua felicidade é parte de minha felicidade, ninguém é feliz quando seus amigos estão tristes e da mesma forma quando os amigos estão felizes é mais fácil ser feliz.

Que 2014 seja um ano no qual você aproveite tudo o que aprender e viveu, que nosso encontro seja ótimo.

Cheros, Feliz Ano Novo e vamos embora que é hora...

Erica Ferro disse...

Parece que o ano voou, mas só parece porque você aproveitou muito cada momento aí na Alemanha, muito e bem, e eu aqui aproveitei meu ano muito bem também. Fico muito feliz de ter dado tudo certo contigo em outro país. Ter dado certo é pouco, aliás. Foi fantástico. Não sei se é certo dizer, mas esse foi um dos melhores (ou o melhor) ano da tua vida, não foi?
Confesso que deixei de ler um ou dois posts, de comentar um bocado de posts, mas eu estava sempre querendo saber como você estava, como estava se sentindo, o que estava aprontando pelas cidades alemãs. E foram várias coisas que você vivenciou e registrou aqui no Blogário. Foi massa, cara. Foi lindo. Um ano realmente memorável. Que venham outros tão (ou melhores) bom quanto esse!

Um abraço da @ericona.
E esse ano nos encontraremos pessoalmente em Caxias. Me aguarde.

Lúcia Soares disse...

Concordo com as meninas acima. Passou rápido, mas foi intenso.
Que bom que está em casa, com os seus.
Sugiro que vá colocando as fotos aqui mesmo, mantendo o blog. À medida que for postando as fotos, sairão mais lembranças da sua mente, que darão mais posts.
Beijo, Ana.

Rebeca Postigo disse...

Enfim ela voltou para o Brasil!!!
Ana...
Sei que foi um ano incrível pra ti...
Os dias passaram rápido e sei que você aproveitou cada um deles...
Agora o foco é outro e tenho certeza que estaremos torcendo por ti...
Sempre!!!
Ótimo retorno!!!

Bjo, bjo!!!

gabi lembrancinhas disse...

Oi Ana, tudo bem?
Gostei muito do seu blog, as histórias são ótimas! Também fui intercambista, e me identifiquei com muitas coisas que você contou =)
Tenho um site que reune blogs de intercambistas, se chama “Intercâmbio Blog”. Seria muito legal se você divulgasse seu blog lá! É de graça, na verdade fiz para ajudar futuros intercambistas a encontrar todos os blogs da cidade/país de destino em um só lugar.
É só acessar www.intercambioblog.com.br e adicionar o link do seu blog.
Por favor, participe! Com certeza muitas outras pessoas também vão gostar de saber sobre a sua experiência =)
Bjs, Gabi.