Lá... e cá outra vez

domingo, 9 de agosto de 2015

Passei a segunda metade de julho na Alemanha e em vários momentos comecei a elaborar posts mentais pra esse abandonado blog. Cheguei, conclui que um post seria de bom tamanho e... bom, já faz mais de uma semana que voltei e, confesso, não tenho lá muita capacidade de escrever, Todas as minhas ideias evaporaram e eu não consigo acreditar que isso vá interessar a alguém, mas como as pessoas têm me perguntado empolgadas "Como estava na Alemanha?" e eu só respondo "Tudo bem", acho que devo fazer um esforço. Vamos lá, pois. 

Comprei a passagem no início do ano após saber que uma das criaturas que foi mais legal comigo na Alemanha (e que me enviou cartas e presentes desde que voltei) estava com câncer. Como era um senhor de mais de 80 anos, resolvi vender o rim e dar um jeito de ir vê-lo mais uma vez. Infelizmente, um mês antes de eu chegar lá, ele faleceu. Quando eu estava no avião e percebi quão exaustiva era a viagem, lembrei da razão de eu ter comprado a passagem e me perguntei porquê eu estava indo pra lá. Naquele momento eu quis que fosse possível fazer como nos desenhos: pular sobre os outros bancos, fazer um buraco no fundo do avião e pular. Mas isso é só coisa de desenho mesmo, felizmente. 

Cheguei a Frankfurt um pouco antes da hora marcada, o que me fez chegar antes ao ponto de encontro com o Christian (um au pair gaúcho pra quem eu levei algumas coisas daqui e cuja a Gastfamilie tri querida me hospedou por uma noite). Devo dizer que só o fato de estar andando de trem já fez com que eu me sentisse em casa e (mentalmente) saísse pulando de alegria por estar de volta na Alemanha. De verdade, sentei no trem (ou melhor, S-Bahn) e me disse: Tô em casa (mesmo nunca tendo passado muito tempo em Frankfurt).

Enquanto eu esperava, tomei uma cerveja e comi uma Wurst. Quando o Christian chegou, fomos pra casa dele, entrei as coisas e... saímos pra ele me mostrar um pouco da cidade, já que no outro dia eu já iria pra Berlin. Eu praticamente não tinha dormido no avião, então não aguentei muito tempo, mas valeu a saída. Agora conheço mais de Frankfurt, fora o aeroporto e a Messe. 

Lanche pós-viagem



Graças a uma dica do Christian, descobri que viajar de ônibus é quase tão confortável quanto de trem e pode ser bem mais barato. Com 19 euros, passei seis horas e meia no ônibus rumo a Berlin. Voltei a pular mentalmente quando me vi de novo na capital alemã. Fui pra casa dos meus parentes lá, onde fiquei uns 5, 6 dias, mesmo depois deles terem ido pra viagem de férias. Deixei a chave com uma brasileira que é vizinha deles. Recifense, ela é casada com um alemão que fala português, mora a seis anos lá e ainda não se sente 100% à vontade na Alemanha. Nesse momento percebi que não é todo mundo que pula mentalmente por estar em terras germânicas. 

Bom, em Berlin andei até não poder mais, revi lugares lindos, andei horas por museus enormes e... eu constatei que posso passar dias só andando por aquela cidade que vou ser feliz. Quanto à motivação da minha viagem, bem, foi estranho, eu esperava vê-lo a qualquer momento. Visitei a esposa dele com a nora dela e o neto, mas não pude ir lá sozinha nos últimos dias. Eu tive a impressão de que minha visita só a faria mais triste (e ela já estava em pedaços), já que seria inevitável falarmos do marido dela e... sou emocionalmente covarde em situações como essa. 

Como a ideia é registrar 15 dias nesse único post, vou fazer um resumo de Berlin por fotos. 

Homenagem aos judeus enviados de Berlin aos campos de concentração

Em um museu que fui sobre as culturas mundiais. Lembrei de Austen

Apfelstrüdel - legítimo 

Que horas são?

"Lugares dos quais jamais podemos esquecer"

Precisa traduzir a temática do livro?

Percebi que minhas sandálias eram mais fotogênicas que eu

E só passei meia hora dentro da Dussmann - juro!

Museu da Tecnologia - passei duas horas lá caminhando!

Fiquei olhando pro cartaz, já que não tinha dinheiro pra rever o musical

Museu da História de Berlin



Não, não fala só da Berlin dividida, mas são as fotos mais simbólicas de lá.

Os fundos do castelo da tia Charlotte

Olha o Charlottenburg lááá
No meu último dia em Berlin, encontrei uma exposição sobre os 25 anos da queda do muro

E tinha uma parte só sobre o Udo ter tocado na DDR


E tinha um Trabi (carro da DDR) sobre o musical *-* 

Uma amostra de como o muro era feito

Depois fui pra Chemnitz, conhecer outros parentes. Foi legal, apesar de eu não ter entendido completamente tudo que eles diziam (a Alemanha e seus dialetos!). Eles foram tri queridos e se organizaram pra me levar em lugares diferentes todo dia. Quando a Alemanha foi dividida, Chemnitz ficou do lado comunista e teve o nome mudado para Cidade-do-Karl-Marx. Na cidade eram produzidos os eletrodomésticos pelo que entendi. É uma cidade de 250 mil habitantes e industrial, mas nas proximidades têm cidades e castelos lindos, como acabei descobrindo. 

Castelo Lichtenwalde

Nos jardins do castelo, uma exposição muito simpática






Uma Claudia!


Carne de cervo e coisa e tal

Vista do castelo Augustusburg (não tenho foto dele, percebi agora)

Fiquei três dias digerindo esse joelho de porco

Floresta empedrada - resultado do trabalho de um vulcão milhões de anos atrás

St. Petrikirche

Cinema ao ar livre - programação de verão!

O cabeção imenso do tio Marx

"Proletariado de todos os países, uni-vos!"

Moritzburg, láááá no fundo


"Quero um farol só meu", disse Augusto, o Forte

Não é carne, é algum legume transfigurado - tava digerindo o Joelho de Porco ainda

Uma igreja Meissen, cidade famosa pelas porcelanas

Olha o Elbe aí (com bem menos água do que quando o vi em 2013)

Horas pra comer esse sorvete

De Chemnitz fui para Böblingen. Fiquei na casa da namorada do 'meu avô inglês' (que conheci no bar que eu frequentava lá). Além de ser tri querida, ela me dava presentes a cada cinco minutos - felizmente eu tinha uma mala extra dentro da que levei pra lá. Reencontrei a Luci, a au pair ucraniana que fez aquela viagem a Bonn comigo. Ela fez questão de me pagar um crepes, já que disse que eu paguei um pra ela quando eu cheguei na Alemanha. Também reencontrei minha agente, minha professora, algumas colegas e... não, não revi minha Gastfamilie, apesar de ter tido vontade de rever as crianças (ou meus filhos alemães, como diz um amigo meu). É ridículo, mas meio que me apavorei só de passar na frente da casa da minha Gastfamilie - traumas da vida. Mas enfim, foi legal estar lá de qualquer modo. Passei um ano da minha vida lá! E faz mais de um ano e meio que voltei. É quase inacreditável - que passei um ano lá e que voltei há quase dois!

A melhor das mil fotos com a Luci

Dos presentes que me dei

Dos presentes que ganhei

Tübingen!

Quase noite às 14h...

...e dia às 19h - tri lógico, São Pedro!

Também veio na mala uma camiseta do Borussia Dortmund (presente da família em Chemnitz), um CD do Bela B. (presente de mim pra mim), livros de exercícios de alemão e um novo dicionário - além de postais e mapas, claro. 

Mais engraçado do que eu me sentir completamente em casa em qualquer canto da Alemanha é o fato de 90% das pessoas com quem conversei listarem sugestões de como garantir minha volta (além de alguém no meu amado bar em Böblingen ter doado dois euros pra ajudar na passagem de retorno a Alemanha). A Luci ficou dez minutos me dizendo que estava contando os dias pra minha volta definitiva e que tem certeza de que isso é o melhor pra mim. Os parentes em Chemnitz garantem que o meu destino é ser correspondente internacional na Alemanha (vamos fingir que é algo fácil). Em Berlim, a família já tá fazendo uma lista do que eu devo ver na próxima vez que for lá. 

E eu? Bom, eu me sinto naquela frase: "Muitas pessoas nadam com a maré, outras contra. Eu estou no meio da floresta e não consigo encontrar o rio." Ou seja, eu não tenho noção alguma do que quero da minha vida. Provavelmente vou ficar de cá pra lá o resto da vida, ou pelo menos até que alguém me prenda em um dos lados do Atlântico. Mas um dos últimos conselhos que ouvi lá foi: "Não se deixe prender por um homem", então, é, eu não sei o que será da minha vida. Veremos. Tá divertido assim. Tenho um rim sobrando pra vender pra próxima viagem, não é?